segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Final(mente)

Eis-me presa á memória escura
dos teus olhos,
das palavras que nunca me disseste
e das recordações que não tive.
O prazer que tenho 
em coleccionar contrariedades
ganha todas as batalhas.
Inventa a verdade.
Faz de conta que nunca foste,
finge que nunca irás.
Talvez o tempo
me tenha roubado o talento,
talvez a vida
me tenha apagado o destino.
E vou vivendo,
na constante repetição
do ontem.
Vai, vai-te daqui
silhueta manhosa
que não me deixas existir
sem esperanças e ambições.
Prometes-te mil e um mundos
mas a guerra está perdida, final(mente).

domingo, 5 de setembro de 2010

O talento da escrita

Escureço-me neste mundo, perco-me nos caminhos do insensato, da ousadia.
A inutilidade das palavras revela-se nas conversas trocadas por memórias confusas.
Na música, o talento vive no improviso, na história que já foi vista, vivida e sofrida.
Na vida, o prazer do desconhecido supera qualquer conhecimento prévio.
A partilha de algo maior que o silêncio, cicatriza-me a mente e transforma-me na pessoa que quero ser.
A tez morena do meu rosto espalha-se ao longo da multidão, perfeitamente sozinha, perfeitamente melodiosa.
Reviro a minha existência até perceber que o talento da escrita se esconde no toque, na sensibilidade de cada palavra desabafada.
Espera. Aguarda o momento. 
Pelo vocábulo ideal. Pelo texto da minha vida.

sábado, 4 de setembro de 2010

O medo, o medo

O medo, o medo
Significa que tenho algo a perder
algo a aprender
algo a sofrer.
Receio que nada seja para sempre,
as supremas amizades
que se desfazem com o vento,
os sorrisos cínicos escondidos
no ódio de uma vida.
Não tenho nada a esconder
e os desafios que se colocam nesta necessidade extrema 
de sobreviver
fazem-me maior, fazem-me pessoa.
E hoje vejo o que ontem ignorei,
o que amanhã rejeitarei
porque os ideais da minha alma 
não se regem por canções
que não têm compositor.
Um dia vou escolher o momento entre os momentos
para revelar o que penso
ignorando o medo de ser apagada
da memória desta gente.